Vem aí a 16ª edição do prêmio sobre “causos” dos bastidores da pesquisa no C3SL

De forma descontraída, o tradicional Prêmio Horácio registra os fatos inusitados e cômicos vivenciados pelos bolsistas e professores nas atividades de pesquisa

Pesquisa é levada ao rigor do método e com muita seriedade no dia a dia do C3SL. Mas até o mais experiente programador pode escorregar o dedo no código vez ou outra. É neste momento que os olhares atentos dos bolsistas e pesquisadores registram cada deslize. Ainda mais se estiver envolvido em um contexto para lá de engraçado. Isso porque cada um destes casos pode valer um Troféu Horácio. O prêmio, uma espécie de Framboesa de Ouro dos bastidores da pesquisa, registra os principais fatos engraçados e obrigatoriamente vexatórios vivenciados por técnicos, bolsistas ou pesquisadores. Neste ano, a entrega da 16 ª edição do prêmio será realizada na confraternização do C3SL, no dia 27/06.

Tudo começou em 2012, na sala do C3SL, e envolve uma impressora, um manual, uma chave de fenda, um toner, e uma dose cavalar de desatenção. Quem faz este resgate para nós é um dos fundadores do C3SL, o professor Marcos Castilho.

“Um dia, ao entrar na sala do C3SL retornando do almoço com o Bona, deparei-me com três bolsistas. Eles estavam ali ao redor da impressora. Um tinha o toner na mão, outro tinha uma chave de fenda e um terceiro tinha o manual da impressora. Estranhando aquela situação, questionei: ‘Vocês estão fazendo o quê?’. Eles me responderam: ‘Vamos trocar o toner’. Perguntei para eles: ‘Mas por que você precisa da chave de fenda?’. Responderam: ‘Não, é que no manual aqui está dizendo que tem que tirar uma fita amarela do toner. Mas o toner não tem fita amarela. Então a gente está achando que tem que abrir o toner para ter a fita amarela está dentro’. E qual era o problema em tudo isso? É que o toner era da Epson, o manual da impressora que estavam usando era da Lexmark, e a impressora era uma HP”, conta Castilho.

A partir daquele momento, surgiu o Troféu Horácio, para registrar cada uma destas situações inusitadas e cômicas envolvendo os técnicos, bolsistas e pesquisadores durante as atividades no C3SL. O prêmio é dividido em três categorias: o Clássico, que envolve os pesquisadores com anos de carreira; o Iniciante, que envolve os bolsistas; e o Principal, cuja situação se destaca diante dos casos contabilizados ao longo do ano. E como é que registram isso? Isso fica a cargo dos próprios bolsistas e pesquisadores, que reúnem e submetem à comissão, responsável por julgar os melhores “causos”.

Quem acha que é apenas uma descontração, saiba que está enganado. O conceito que permeia o prêmio confere um caráter didático ao evento. A referência que dá nome ao prêmio é o cativante, mas displicente, dinossauro Horácio, cujos pequenos braços o impedem de apertar o comando “crtl+alt+del”. A ideia do prêmio é justamente usar os casos de descuido ou de distração como forma de alertar para uma ação mais comedida e atenciosa nas atividades da pesquisa. Desde 2012, à exceção dos anos da pandemia, o Troféu Horário é entregue nas reuniões anuais de confraternização do C3SL. 

Bolsista do C3SL participa da final da Maratona Feminina de Programação

Evento busca fomentar o interesse pela computação entre mulheres e pessoas não-binárias da América Latina

Evento reuniu participantes de universidades brasileiras e de outros países da América Latina. Foto: Instagram da MPF

Neste fim de semana foi realizada no Instituto de Computação (IC) da Unicamp a final da Maratona Feminina de Programação (MFP), evento que reúne mulheres e pessoas não binárias da América Latina para uma rodada de dois dias de desafios de programação esportiva. A bolsista do Centro de Computação Científica e Software Livre, Luize Duarte, participou como finalista da MPF e na assessoria do time do curso de programação. Daqui do Paraná, representando o Dinf e a UFPR, também esteve no evento a acadêmica Juliana Zambon, que integra a equipe da organização da maratona como coordenadora de comunicação da MPF.

Participam da MPF mulheres e pessoas não-binárias que estejam regularmente matriculadas na graduação de alguma instituição latino-americana de ensino superior. Para Juliana, o evento é uma oportunidade de incentivar o interesse pela computação entre o público feminino. “O evento representa a esperança de que você, mulher ou pessoa não binária, também pode conquistar seu lugar no mundo da programação. A esperança de criar uma comunidade onde você possa ser e se sentir acolhida nesse ambiente, atualmente permeado por uma grande presença masculina. A Maratona Feminina de Programação é a esperança da inclusão”, destaca a coordenadora de comunicação da MPF.

Esta é a segunda edição da maratona feminina, que já bateu recorde de inscrições, passando de 280 estudantes no evento em 2023, para mais de mil inscrições neste ano. Além de universidade e faculdades no Brasil, o evento também recebeu inscrições de instituições de ensino superior de outros países da América Latina, como Facultad de Física de la Universidad de la Habana, Pontificia Universidad Católica de Chile e Universidade Nacional de Colombia. Outra novidade é que neste ano a MPF se vinculou à Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Nos desafios de computação, as competidoras podem usar soluções em linguagens Pascal, C, C++, Java, Python e Javascript.

Dentre as propostas do evento, destaca-se o estímulo à participação feminina na programação esportiva, a ampliação da participação feminina na Maratona de Programação (SBC) promovida anualmente pela SBC, contribuir para a formação de uma comunidade latino-americana feminina de computação e proporcionar um ambiente mais inclusivo, acessível, acolhedor e diverso na área das ciências exatas em geral.

C3SL recebe coordenadores de dados da Agência Nacional de Petróleo

No encontro, foram debatidos os desafios tecnológicos da ANP na disponibilização de dados para a sociedade

Terabytes de informações e levantamentos das bacias sedimentares brasileiras, como poços perfurados e dados sísmicos, reunidos por iniciativas privadas e entes públicos são diariamente recebidos e disponibilizados para a academia e mercado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Soluções de informática e de infraestrutura que facilitem este fluxo de dados foram alguns dos temas da visita de técnicos da ANP ao Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) nesta quinta-feira (6). O encontro fez parte da agenda encabeçada pelo Laboratório de Análises de Minerais e Rochas (Lamir).

Participaram da atividade o coordenador de poços e geologia da ANP, Fernando Gonçalves dos Santos, o coordenador de recebimento e disponibilização de dados da agência, Paulo de Tarso Antunes, dos pesquisadores do C3SL, professor Marcos Sfair Sunye, Marcos Castilho, Luis de Bona e André Grégio, e administradora e assessora de projetos da UFPR, Carla Marcondes.

Na visita, Marcos Castilho fez um panorama geral sobre o C3SL e sobre as duas décadas de atividade do grupo de pesquisa no desenvolvimento de soluções para problemas complexos relativos ao campo da computação. Considerando a especialização da ANP no fomento a estudos geocientíficos, com expertise no campo da Geologia e Geofísica, Castilho reforçou o papel do C3SL no desenvolvimento de projetos que demandam multidisciplinaridade. “Nos especializamos em entender problemas de outras áreas diferentes da computação. Nós já trabalhamos com a ANEEL para resolver problemas da matriz energética do Brasil no que diz respeito à otimização e minimização do tempo de funcionamento de termelétricas. Este foi um projeto em parceria com o departamento de hidráulica”, aponta o pesquisador do C3SL.

O pesquisador Marcos Sunye complementou destacando os desafios do C3SL com os projetos com reflexos em várias áreas como Saúde, Educação, Comunicação e Direitos Humanos, sempre primando por resultados de relevância e impacto na sociedade, a partir da função social da universidade pública. Neste aspecto, Sunye defende a dianteira da universidade e do governo no uso racional de dados pensando na sua visão estratégica, como no projeto desenvolvido pelo C3SL com o MEC com a integração das diversas bases de dados (MEC, FNDE, Inep, Censo Escolar) para resultar em planos de políticas públicas e ações em educação.

“A base que geramos a partir destes dados fomenta pesquisa e planos em vários grupos e para decisões do governo. Um exemplo é o uso para a o cálculo do custo alunoXqualidade, que é uma métrica para decidir o uso de fundos. Como o Fundeb, que mapeia isso nas escolas para decidir os recursos para garantir a qualidade de ensino. É absolutamente necessário o governo federal trabalhar com uma grande massa de dados para tomar decisões. Não temos como deixar só a iniciativa privada fazer isso, cabe à universidade e ao governo justamente tomar a frente de projetos como este”, conclui.

Segundo o geólogo da ANP, Fernando Gonçalves, o setor de dados da agência enfrenta problemas semelhantes ao relatado por Sunye no que diz respeito à necessidade de padronização dos dados recebidos de diversas fontes. Contudo, um dos principais gargalos hoje identificado pelos técnicos da ANP é a solução para disponibilizar dos dados para a sociedade, academia e mercado. Os dados recebidos pela agência referente aos estudos e mapeamento de bacias e poços chegam das empresas públicas e privadas e recebem uma categoria de tempo de sigilo, que pode variar em tempo a depender da sensibilidade dos dados para o interesse da União e para a segurança pública. Após este prazo finalizado, ficam abertos para solicitação e consulta pública.

Hoje nosso principal desafio é encontrar uma solução de front end, que nos auxilie na coleta, análise e disponibilidade dos dados para quem solicitar. Um sistema ideal teria que dar conta de receber a demanda, acessar os dados, copiar eles para disponibilização, criar as identificações e gestão dos tempos de sigilo de cada um dos dados, isso considerando que o tempo todo somos acionados para acesso aos dados pela academia, sociedade e mercado. De forma adicional, é ainda necessário localizar os dados espacialmente, para alimentar sistemas de visualização de dados para que a sociedade possa receber os metadados para que possam acompanhar as informações, e saber quando os dados estarão ou não públicos”, destaca o técnico da ANP.

Dinf e C3SL sediam etapa zero da Maratona de Programação da SBC em Curitiba

Neste sábado (25), será realizada a etapa zero da Maratona de Programação da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Esta é uma fase nacional da competição de programação, aberta aos alunos de graduação do ensino superior e do ensino médio de todo o país e equipes de instituições da América Latina. Em Curitiba, o Departamento de Informática da UFPR (Dinf) e o Centro de Computação Científica e de Software Livre (C3SL) vão receber os competidores nesta fase.

Bolsista do C3SL e um dos organizadores da etapa zero, Fernando Kiotheka aponta que as maratonas são excelentes oportunidades de desenvolvimento de trabalho conjunto de visibilidade frente à comunidade de programadores e de fortalecimento da rede de contatos.  “A maratona propicia um ambiente de experiências muito rico, possibilitando muitas oportunidades de aprendizado e emprego. Os maratonistas são ótimos cientistas da computação, pois aprendem a fundo muito conteúdo da área, sendo excelentes em matemática e resolução de problemas, formando ótimos pesquisadores. E os maratonistas também são programadores extremamente competentes que trabalham com abstrações de alta complexidade e que conseguem resolver problemas também altamente complexos”, afirma.

Bolsista do C3SL, Kiotheka é um dos organizadores das maratonas da SBC – Foto: acervo pessoal

Para Kiotheka, o evento aberto ao público geral e com atividades online propicia um espaço com integração de estudantes de vários locais. A fase zero recebeu 895 inscrições de equipes, das quais 846 do país, e 49 de times de alunos da América Latina, como Universidad Panamericana, do México, e Universidad Nacional de Ingeniería, no Peru. “A fase zero é a fase mais democrática da maratona porque é online e todo mundo consegue participar, então é a que tem recorde de participação de longe. Isso faz com que a maratona alcance vários lugares que normalmente não seriam alcançados tradicionalmente. Isso motiva muito o pessoal a participar das próximas fases e conhecer a maratona”, reforça.

Além da integração internacional, o evento também abre espaço para os alunos do ensino médio, que estão decidindo quais caminhos vão seguir na graduação. Esta edição da fase zero contará com 56 equipes do ensino médio. “Pro pessoal do Ensino Médio é uma oportunidade de fazer uma prova que geralmente é voltada apenas para a graduação, e já se iterar no mundo da programação esportiva e começar a se preparar. Eles já ficam cientes de todas as instituições onde existe entusiasmo pela maratona e já começam a pensar no seu futuro, onde vão estudar”, reflete Kiotheka.

 
Etapa da Maratona SBC na UFPR terá 45 participantes

Dos inscritos em Curitiba, os laboratórios do Dinf e do C3SL devem receber 45 participantes nesta etapa da maratona. Ao menos quatro equipes terão bolsistas do C3SL na disputa, sendo elas: equipe Trepa Colinas, formada por Marcus Vinicius, Muriki Gusmão Yamanaka e Anderson Aparecido do Carmo Frasão; equipe Programação Casual: formada por Gabriel Conegero, Roberto Tomchak e Pedro Pesserl; equipe The tortured programmers department: formada por Luize Cunha Duarte, Millena Suiani Costa e Juliana Zambon; e equipe Beecrowd eu só queria mais caracteres: formada por Thiago Trannin, Pedro Vinicius e Raul Gomes.

Assim como nas demais fases da Maratona da SBC, na etapa zero as equipes com até três integrantes recebem uma série de problemas que devem ser resolvidos em um menor intervalo de tempo possível, usando várias linguagens de programação para codificar soluções. A jornada que promove um trabalho em equipe e fomenta a criatividade na solução de problemas a partir de programação tem duração de cinco horas.

A etapa zero é uma oportunidade para os participantes se prepararem e se destacarem antes da competição principal da Maratona de Programação SBC, competição que reúne os melhores programadores do Brasil e do mundo. A primeira fase da maratona está prevista para o fim de agosto.

Bolsistas do C3SL participam de maratona de programação em Santa Catarina

Aqueçam os dedos, ativem os cérebros e empunhem suas linhas de códigos! As arenas de programação na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Joinville vão esquentar neste sábado (18), e os bolsistas do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) estarão lá, representando a garra dos programadores paranaenses na Maratona nas Estrelas, umas das edições das Internas, promovida pelos alunos de computação da Udesc.

Todo ano, a Brute, grupo de programação competitiva formado por acadêmicos de computação da Udesc Joinville, realiza duas competições de programação internas, uma em cada semestre. As inscrições são feitas por times com até três integrantes e mais os Coachs, que dão suporte às equipes. Um time formado pelos bolsistas do C3SL estará no páreo na maratona com Luize Cunha Duarte e Gabriel Lisboa Conegero. Tem ex-bolsistas também no time formado por Pedro Vinícius, Thiago Trannin,  e o mestrando Raul Gomes. Daqui da UFPR, ainda segue mais um time, formado pelos calouros Antonio da Ressurreição Filho, Davi Chaves Rodrigues Dutra Manzini e Arthur Ribas de Oliveira. Segue como coach das três equipes o bolsista do C3SL, Fernando Kiotheka, e o ex-bolsista do C3SL, Vinicius Tikara.

As Internas servem de seletivas dos grupos de programação para avaliar os times que podem competir as fases sub-regionais de programação, realizadas pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Nas maratonas, as equipes recebem uma série de problemas que devem ser resolvidos em um menor intervalo de tempo possível, usando várias linguagens de programação para codificar soluções.

Segundo Kiotheka, que coordena algumas das maratonas de programação em âmbito regional, as maratonas ajudam no desenvolvimento de ações em conjunto, além de ser um espaço de organização de networking. “Esse evento traz em foco o estudo da ciência da computação na área de algoritmos e estruturas de dados. Além disso, o trabalho em equipe é valorizado e para os alunos, é uma ótima oportunidade de conhecer pessoas novas e buscar emprego, além de viajar para muitos lugares legais”, afirma.

Neste sábado na Udesc, a prova terá cinco horas de duração em que as equipes inscritas terão entre 10 e 15 problemas no estilo da maratona International Collegiate Programming Contest (ICPC), mesmo formato adotado nas maratonas da SBC. Segundo o site da Brute, os problemas serão apresentados de forma aleatória, e os competidores deverão usar computadores sem conexão com internet.

“Problemas complexos” e “interação com a sociedade”: vestibulandos do Curso Positivo conhecem cursos de Informática da UFPR

Falando para mais de 300 vestibulandos, nesta segunda-feira (13), Luis De Bona resumiu assim a profissão para quem quer se tornar computeiro: “tem que gostar de resolver problemas complexos” e de “conversar com as pessoas”. O chefe do Departamento de Informática da UFPR e pesquisador do C3SL (Centro de Computação Científica e Software Livre) foi convidado pelo Curso Positivo para participar do evento Conexão Engenharia, no Instituto de Engenharia do Paraná, ao lado de Johnny Marques, do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Aberto ao público e familiares dos vestibulandos, o evento Conexão Engenharia serve para tirar dúvidas de quem deseja seguir na profissão e apresentar a eles a realidade dos cursos superiores mais buscados na área. É a segunda vez que ele é realizado pelo Curso Positivo em Curitiba, mas foi o primeiro convite para o Departamento de Informática da UFPR falar com esses jovens. “Vocês acham que ser computeiro é ficar em casa, comendo Doritos e ganhando bem, na frente da máquina, mas [a computação] é uma atividade social. Temos que olhar para a sociedade, conversar com as pessoas para entender qual o problema que eu tenho que resolver”, disparou Luis De Bona. 

“Na Computação, você precisa ter curiosidade sobre como as coisas funcionam, de entender o porquê de algo dar certo ou errado. Tentativa e erro não funcionam diante da complexidade dos problemas que nós temos hoje. Se você já se aventurou a configurar o roteador da internet, se você se pergunta como é codificada a música em MP3 ou como são transmitidos os filmes da Netflix, se você tem essa curiosidade e está disposto a pensar em problemas complexos, está no caminho da Ciência da Computação”, disse o pesquisador do C3SL, que compartilhou com os vestibulandos sua trajetória profissional e visão de mundo sobre a atualidade da profissão.

Luis De Bona fez um segundo aviso aos futuros computeiros, para ajudar na escolha profissional. “[Se você não gosta de resolver problemas complexos] pode ir para o outro lado, que são os cursos tecnólogos, onde vai aprender a programar e depois será pago para fazer o que lhe pedirem, mas com o alerta que nem sabemos se essa será uma profissão que existirá no futuro. Todo cientista e engenheiro da computação tem que saber programar, mas não é só isso”, adiantou. Johnny Marques, do ITA, usou uma imagem parecida, dizendo que ele via a linha de programação como o tijolo em uma construção, mas que os projetos de engenharia e arquitetura eram feitos por outros profissionais, de formação mais ampla.

“Daqui a cinco anos, quando mudar tudo, [se você tiver se detido apenas na programação] você vai ter muita dificuldade de se adaptar e terá que correr atrás de especialização e não sei o que mais. O que a gente tem de relatos do mercado é que o profissional de vocês [da UFPR] é que ‘ele pode não vir sabendo a tecnologia tal, mas ele sabe estudar computação, ele aprende qualquer coisa em um curto período de tempo’. E, na Computação, isso é fundamental. As tecnologias vão mudar”, completou Luis De Bona. Além de mostrar as diferenças entre os cursos de Ciência da Computação da UFPR e do ITA (com ênfase na engenharia), ele apresentou aos vestibulandos o curso de Informática Biomédica.

Competindo com o ITA pelos vestibulandos, o chefe do Departamento de Informática foi objetivo, destacando a integração com a pós-graduação desde o início, a grande oferta de projetos de pesquisa aplicada e a possibilidade de bolsas de estudo. “Os cursos da UFPR têm muita integração com a pós-graduação. Desde o início [dos estudos], os alunos têm a oportunidade de participar de projetos de desenvolvimento tecnológico, no C3SL e em outros laboratórios com pesquisa aplicada, com oportunidade de bolsa de estudos. Tem muita oportunidade em uma universidade pública do tamanho da UFPR”, destacou. 

“Em um curso de Ciência da Computação, contemplamos todas as áreas: algoritmos, arquitetura [de hardware], engenharia de software, interface humano-computador. No Departamento de Informática da UFPR, temos gente de todas as áreas da computação e vocês estudarão de tudo um pouco. No que vão trabalhar depois? Depende. Temos gente nas mais diversas áreas: no governo, trabalhando para fora, fazendo algoritmo no Facebook e no Google, gente participando de ONGs. É um campo muito amplo. Dá para fazer muita coisa. É muito interessante, além de uma grande responsabilidade, porque um país que não quiser evoluir suas próprias ferramentas, estará condenado ao subdesenvolvimento”, finalizou.

C3SL debate carreira na computação em evento no IEP nesta segunda-feira

A perspectiva no mercado de trabalho na área de computação é tema em evidência na palestra do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) no Conexão Engenharia, evento promovido nesta segunda-feira (13) pela Universidade Positivo e Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) em Curitiba. No evento, o pesquisador do C3SL e coordenador do Departamento de Informática da UFPR (Dinf), Luis Carlos Erpen de Bona, debaterá o cenário da ciência da computação, uma das áreas em ascensão no mercado da tecnologia.

Com foco nos estudantes de graduação e do ensino médio, o evento tem palestras com profissionais de renome das mais diversas áreas da engenharia, como computação, construção civil, elétrica e eletrônica, mecânica, dentre outras. O objetivo é propiciar um panorama do mercado das engenharias para os futuros engenheiros, abordando desde as etapas de ingresso nas instituições de ensino até o preparo para uma carreira de sucesso no mercado de trabalho.

Com inscrição gratuita, o evento é presencial e será realizado na sede do IEP, a partir das 17 horas, na rua Emiliano Perneta, 174, em Curitiba. Confira a programação completa e se inscreva em https://cursopositivo.com.br/conexaoengenharia/

TRE busca parceria com o C3SL no combate ao deepfake nas eleições

Estratégias contra desinformação tem como alvo magistrados e a sociedade em geral com campanha educativa e produção de sistemas para mapeamento de vídeos

Imagine receber em seu aplicativo de mensagens um vídeo em que você aparece em situação vexatória, mas em um cenário em que você nunca esteve, e falando coisas que você nunca falou. Neste caso, você teria sido vítima de Deepfake, uma técnica de produção de imagens com criação ou sobreposição de rostos e vozes em vídeos. E se este mesmo vídeo circulasse no grupo da família, ou entre seus colegas de trabalho?  Este cenário é hipotético, mas a tecnologia de Inteligência Artificial disponível para fazer algo similar, não.

Em um contexto propício para a circulação da desinformação, como o meio político e as eleições, o uso generalizado de deepfake certamente pode deteriorar a democracia. É nesta conjuntura técnicos do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) estiveram nesta semana no Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) para debater soluções de informática no combate à ameaça do deepfake nas eleições. O objetivo é estabelecer uma parceria entre o TRE e o C3SL para desenvolver soluções de informática para detectar e prevenir a manipulação de conteúdo multimídia, como vídeos e áudios, que podem ser usados para influenciar a opinião pública e comprometer a integridade do processo eleitoral. Participaram do encontro no prédio do Departamento de Informática da UFPR (Dinf) o Secretário de Tecnologia da Informação, Gilmar José Fernandes de Deus, e o Secretário Administrativo do TRE, Iuri Camargo Kisovec, e os pesquisadores do C3SL, Marcos Alexandre Castilho, Luis Carlos Erpen de Bona, André Ricardo Abed Grégio e Paulo Ricardo Lisboa de Almeida

Com a crescente popularidade da tecnologia e a preocupação do órgão no uso em campanhas ou no cenário das eleições, além de traçar estratégias de formação educacional para a sociedade, o TRE busca na proposta de parceria com o C3SL uma solução que dê suporte aos magistrados no julgamento de casos que envolvam circulação de deepfake. De acordo com o secretário de tecnologia da informação do TER, Gilmar José Fernandes de Deus, uma grande dificuldade no julgamento de processos eleitorais, é aumentar a assertividade dos magistrados na identificação de conteúdos falsos criados digitalmente.  

“Na justiça eleitoral, em diversos momentos ao longo das eleições nos deparamos com situações litigiosas em que é preciso analisar casos envolvendo denúncias de desinformação. O grande problema é conseguir identificar de forma célere, se, por exemplo, de acordo com uma denúncia, o vídeo ou outro material é ou não é um deepfake, se é uma montagem feita por um candidato querendo prejudicar o outro. Hoje, muitas vezes, o magistrado que tem que tomar essa decisão de forma manual, o que envolve um grande risco no processo de julgamento. O que nós queremos é melhorar essa assertividade, e fornecer uma ferramenta ao magistrado dentro de processo jurídico, onde ele consiga ter mais embasamento para tomada de decisão”, afirma Gilmar de Deus.

Para o pesquisador do C3SL, André Ricardo Abed Grégio, uma ação junto ao TRE de combate ao deepfake deve prever ações de curto, médio e longo prazo, considerando a agenda de eleições, e tendo em vista a complexidade de desenvolvimento de uma ferramenta que busca marcas de uso de IA em vídeos. Mirando as eleições que se aproximam, em que os cidadãos de 399 municípios paranaenses seguem para as urnas para escolha de vereadores e prefeitos, Grégio propõe ações de educação focada na população e para os magistrados. A partir do uso de aplicações que demonstram de forma prática os tipos de deepfake, a campanha teria uma proposta educacional permitindo aos magistrados e a sociedade em geral conhecer a partir de vídeos as marcas que ajudariam a identificar se um material pode ou não ser falso. “Dentre os tipos de deepfake, existem as que usam sincronização de lábios, sintetização de áudio, injeção de rosto, criação de uma visão total de vídeo artificial. Uma campanha didática, poderia partir do desenvolvimento de ferramentas que possam servir para ilustrar estes tipos de deepfake”, aponta o pesquisador.

Segundo o pesquisador do C3SL, Paulo Ricardo Lisboa de Almeida, especialista em Machine Learning, a campanha inicial também contaria com vídeos e demais materiais de conscientização. “Usando técnicas de sobreposição de vídeo e som, é possível criar uma campanha educacional ilustrativa em que podemos explicar o que é deepfake, como é formada e reforçando a necessidade de cuidados no compartilhamento de conteúdos nas eleições”, diz Almeida. Para ele, uma outra solução a curto prazo seria a criação de um repositório com os vídeos de campanha criados pelos candidatos. A partir do repositório, é possível comparar novos vídeos em circulação para verificar se não foram gerados a partir dos materiais de campanha, o que agiliza o processo de análise dos conteúdos.

Para os pesquisadores do C3SL, a constituição do repositório aliado ao processo de geração de sistemas que ajudem a criar tipos de diferentes de deepfake fazem parte das medidas de médio e longo prazo, em que é necessário um volume significativo de dados para treinar os modelos na leitura e identificação de marcas de IA nos vídeos. “Para cada tipo de deepfake é necessária uma solução que identifique o padrão usado. Os tipos vão do mais simples, como o lipsync, em que se usa um vídeo existente e síncrona a parte da boca do personagem com um conteúdo vocal diferente; tem o de injeção de rosto, em que se aplica o rosto de um personagem em um outro vídeo; e tem os mais elaborados, como os de IA Generativas, em que os fakes são gerados inteiramente por inteligência artificial”, explica Grégio.

O pesquisador Paulo Almeida complementa que em cada um destes tipos, é preciso um modelo que aprenda as marcas da IA que produziu o vídeo, para gerar resultados de identificação se o conteúdo foi criado por inteligência artificial ou se é autêntico. “Um sistema que indique se um conteúdo é originário de inteligência artificial demanda muitos dados e capacidade de processamento. Em um deepfake totalmente gerado por IA, a gente teria que descobrir como é que a IA generativa está gerando os vídeos e detectar traços ali dentro. Neste caso, seria preciso gerar um monte de vídeos falsos para treinar os nossos modelos. Teria que ter uma rede neural, uma inteligência artificial gerando vídeos, e a gente treinando uma outra inteligência artificial para ficar observando e aprende aí como é que ela gera.

Considerando o crescente cenário de uso de deepfake nas eleições, a parceria entre o TSE e o C3SL no combate à desinformação resultaria em um passo importante para garantir a integridade do processo eleitoral brasileiro. Com a tecnologia do deepfake se tornando cada vez mais popular, é fundamental que os órgãos responsáveis pelo processo eleitoral desenvolvam estratégias para detectar e prevenir a manipulação de conteúdo multimídia.

C3SL é tema de palestra no Erad, evento sobre computação e alto desempenho em Santa Catarina

Promovido pela Sociedade Brasileira de Computação, evento reúne pesquisadores e alunos de iniciação científica da Região Sul

Os desafios em projetos complexos de informática para políticas públicas e o compromisso do C3SL com propostas de inovação a partir do software livre foram destaque na vigésima quarta edição da Escola Regional de Alto Desempenho da Região Sul, em Santa Catarina. A palestra foi realizada nesta quinta-feira (25) pelo professor da UFPR e pesquisador do C3SL, Luís Bona. O evento reúne alunos de graduação, pós-graduação, pesquisadores e profissionais da computação para debater o cenário do Processamento de Alto Desempenho, Arquitetura de Computadores e Sistemas Distribuídos.

Com o tema “C3SL: 22 anos! Software livre, cidadania e liberdade”, a palestra evidencia os grandes desafios nacionais enfrentados pelo centro de computação no uso de software livre como instrumento para a construção de sistemas inovadores. Com diversos projetos de impacto público nas áreas da saúde, educação, direitos humanos e comunicação, o C3SL vem há mais de duas décadas reiterando em seus esforços o papel da universidade na construção da soberania tecnológica do país.

Para Bona, além de um reconhecimento à importância e ao papel do centro de computação, ter o C3SL como um dos temas de relevância nas palestras do evento regional é uma oportunidade de reforçar à comunidade acadêmica e ao mercado o compromisso do grupo com soluções tecnológicas abertas.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Computação com apoio da UFPR e demais instituições de ensino, e com patrocínio de grandes empresas de tecnologia, o evento tem foco na qualificação dos profissionais dos estados da região sul do país para processamento de alto desempenho. “Este é o principal evento da região sul para debater inovação e pesquisa científica em processamento de alto desempenho. Com grande participação de alunos de iniciação científica a preocupação é promover a reflexão da responsabilidade do papel que eles desempenharão na sociedade. Entendemos que a filosofia que guia a pesquisa e os projetos do C3SL pode contribuir muito para a formação das novas gerações de pesquisadores”, destaca.

INOVAÇÃO ABERTA: governo deve buscar cooperação com sociedade para demandas em políticas públicas

Evento promovido pelo C3SL evidencia a necessidade de uma gestão descentralizada do governo, integrada à iniciativa privada e startups com foco em inovação

Gerar ideias e iniciativas inovadoras para a sociedade a partir de um sistema de parceria entre os governos municipais, estaduais e federal com agentes externos, como entidades e empresas privadas. Este é o cerne do conceito de Inovação Aberta nos Governos, tema da mesa redonda promovida nesta quarta-feira (24) pelo Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) e pelo Departamento de Informática (Dinf) da UFPR.

O evento reuniu cerca de 50 alunos, pesquisadores e professores da universidade e contou com palestras do assessor Técnico na GNova, laboratório de inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Luís Guilherme Izycki, do pesquisador do C3SL, professor Marcos Sfair Sunye, e da coordenadora do Curso de Medicina da UFPR, Camila Girardi Fachin.

Apesar de ser o principal responsável por desenvolver políticas públicas, o governo não precisa estar sozinho na busca por soluções que atendam as necessidades da sociedade, é o que defende Luís Guilherme Izycki, da GNova/Enap. Para isso, segundo Luís Izycki, o governo deve optar por uma gestão descentralizada de projetos, com foco na cooperação entre a iniciativa privada e setores da sociedade civil para resolver problemas sociais.

Com origem no campo econômico, a proposta da Inovação Aberta propõe a quebra do paradigma de uma inovação centrada na rivalidade e falta de cooperativismo entre instituições e o governo. A competitividade entre governo e iniciativa privada ou sociedade é trocada por um ecossistema de inovação em que os entes públicos passam a fomentar a integração entre os agentes da sociedade para busca de soluções.

“Como governo, nosso investimento e a nossa intenção é trazer possibilidades, do ponto de vista da oferta e demanda, a partir das mentes criativas da sociedade. É isso que resultará em um horizonte de soluções. Nem sempre terá capacidade de alcançar resoluções de problemas focados nas demandas de política públicas a partir de ações próprias. É neste ponto que ele deve buscar na Inovação Aberta para Governos uma forma de atuar em cocriação com agentes da sociedade que apresentem condições de resolver os problemas que fogem da possibilidade de resposta do poder público”, aponta Luís Izycki.

Uma das frentes do Governo Federal no uso de gestão de Inovação Aberta é o Laboratório de Inovação em Governo (GNova), vinculado à Escola Nacional de Administração Pública (Enap). O Gnova atua como uma assessoria técnica que auxilia os entes públicos e a sociedade no desenvolvimento de projetos com foco em soluções para políticas públicas. “O papel da GNova é de ser a viabilizadora da cooperação e do processo. O problema público a ser resolvido continua sendo do ente, como o município, por exemplo. Os processos formais continuam sendo responsabilidade dele, com contratações por meio de editais. Mas a forma de produzir e organizar os editais, de pensar em estratégias disruptivas e de inovação para buscar solução aos seus problemas, conta com a expertise da GNova”, destaca o assessor técnico.

INOVAÇÃO DEPENDE DE UMA POLÍTICA DE DADOS – Alinhado à ideia de descentralização do governo sobre os projetos com impacto na sociedade e de uma desburocratização da gestão pública, o pesquisador do C3SL, Marcos Sfair Sunye, reforçou na mesa redonda a importância de uma política efetiva de dados abertos.

Um cenário com oferta de dados brutos por parte dos entes públicos pode permitir por parte da sociedade e de instituições de incentivo à pesquisa a oferta de soluções que atendam às demandas da população.

Sunye rememorou como exemplo a criação em 2013 de um aplicativo desenvolvido por alunos de informática da UFPR que permitia ao usuário do transporte público de Curitiba acompanhar em tempo real o fluxo dos ônibus. Isso foi possível pelo acesso aos dados que estavam disponíveis no site da Urbs, e que indicavam ponto a ponto a localização dos ônibus. “Foi um exemplo de uma ação que gerou uma repercussão social muito grande, e que deu dimensão do impacto da inovação a partir dos dados abertos. Não que os governos deixem de usar estes dados. Muitas vezes até percebemos iniciativas da gestão pública em desenvolver alguma aplicação para alcançar a população. Mas nem sempre o resultado é satisfatório. Neste caso, o ideal é que mantenha os dados abertos para que outros agentes possam desenvolver inovações que deem conta das demandas da sociedade”, reforça o pesquisador da UFPR.

Neste aspecto, o papel da universidade é aumentar a qualidade e a continuidade para os dados públicos. “É função da Universidade pegar os dados brutos e disponibilizar eles para a sociedade. Dados brutos, não dados trabalhados. Os dados com intervenção apresentam um alinhamento ou ainda um recorte que pode ser limitador do seu uso. Precisamos trabalhar melhor os dados com a sociedade. E é isso que buscamos aqui no C3SL como laboratório. Criar alternativas de tecnologias de software livre, sem aprisionamento de dados, que tenham impacto na sociedade de forma geral, em áreas como saúde, educação, comunicação e questões sociais”, reitera.

Para o pesquisador, falta a percepção dos gestores públicos sobre a relevância e real valor dos dados. Como exemplo disso, Sunye destacou situações em que grandes empresas de tecnologia cedem o uso de sistemas com código proprietário em hospitais. O que esta ação supostamente altruísta não revela é que a empresa de tecnologia acaba tendo acesso a todos os dados de diagnósticos e demais informações que passam a circular neste sistema.  É na contramão dessa postura que atua o C3SL, com projetos que têm como razão o desaprisionamento dos dados, e incentivo ao Software Livre. Prova disso é a iniciativa inovadora do C3SL tornar a filosofia do Software Livre como princípio para seus próprios projetos, que são publicados com o código-fonte aberto, disponíveis para acesso público (https://gitlab.c3sl.ufpr.br/explore/projects). Outro ponto é o projeto de espelhamento dos programas, que faz do C3SL a maior referência do hemisfério Sul dedicado a software livre. Há duas décadas o C3SL hospeda e distribui uma série de programas como Ubuntu, Debian, Kurumin Linux e SurceForge. “Por sermos referência, somos procurados de forma recorrente por desenvolvedores de sistemas e programas em software livre para hospedarmos novos projetos”, diz Sunye.

A BUROCRACIA COMO ENTRAVE DA INOVAÇÃO – Refletindo sobre a realidade da pesquisa em saúde, sobretudo com foco no Hospital de Clínicas, a coordenadora do Curso de Medicina da UFPR, Camila Girardi Fachin, apontou a urgência da desburocratização como forma de incentivar a inovação. Apesar de ser um dos principais centros de pesquisa e referência como hospital público, de acordo com Camila, o HC tem sofrido um êxodo de pesquisadores quando o assunto é pesquisa, devido a um sistema altamente burocratizado. Segundo a professora da UFPR, isso se agrava ainda mais nos casos de pesquisa clínica. “Quando o assunto é a pesquisa clínica, a burocracia é maior. Quando estamos no processo de testagem de um medicamento ou um dispositivo, isso fica mais evidente, sobretudo considerando que estamos em um cenário de competitividade com laboratórios ou entidade privada, em pesquisa também nas mesmas áreas. Logicamente que temos regras de trâmite legal, mas o excesso de burocracia prejudica principalmente na demora para aprovação, o que favorece o mercado externo”, critica.