C3SL e Ministério da Saúde debatem gestão da informação na atenção básica

Base de dados da Atenção Primária à Saúde (APS) foi foco da visita técnica em Brasília

O Centro de Computação Científica e Desenvolvimento de Software (C3SL) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) se reuniu com representantes do Ministério da Saúde em Brasília no dia 21 de junho para discutir melhorias no processamento e armazenamento dos dados de saúde provenientes dos atendimentos da Atenção Primária à Saúde (APS). Participaram do encontro com representantes do ministério a pesquisadora especialista em banco de dados e bolsista do C3SL, Simone Dominico, e o gestor de projetos de pesquisa e desenvolvimento do C3SL, Edemir Reginaldo Maciel.

Durante o encontro, a equipe do C3SL buscou entender detalhadamente o fluxo atual de captação, limpeza e adequação desses dados até seu armazenamento no Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), gerenciado pelo Ministério. “O nosso papel lá foi entender como estava acontecendo esse processo de organização da base e alimentação dos dados para sugerir e desenvolver alguma mudança para que esse processo seja mais otimizado”, aponta Simone.  

O aprimoramento da base de dados integra as atividades do projeto do C3SL com o Ministério da Saúde, coordenado pelos pesquisadores Marcos Sunye e Grégio André, para desenvolvimento de um sistema que permite comunicação direta entre agentes de saúde e usuários da APS. Atualmente, o processo de organização da base de dados em discussão na reunião resulta em performance aquém da desejada pelos técnicos do ministério, especialmente devido ao grande volume de dados recebidos diariamente, em torno de 30 terabytes.

C3SL e Ministério da Saúde testam sistema para comunicação entre agentes de saúde e cidadãos

Projeto permite que usuários avaliem atendimento no SUS e fornece indicadores para políticas públicas em saúde

Sistema em desenvolvimento pelo C3SL permite criar indicativos de qualidade do SUS. Foto: Agência Brasil

Pesquisadores do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL), grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Informática (Dinf) da UFPR, apresentaram ao Ministério da Saúde (MS), em Brasília, no último dia 27/06, um protótipo do sistema que permite comunicação direta entre agentes de saúde e usuários da Atenção Primária à Saúde (APS). Um protótipo da interface web do projeto, desenvolvido pelo grupo de pesquisa em parceria com o MS, foi testado em reunião do coordenador do projeto e pesquisador do C3SL, Marcos Sfair Sunye, do líder da pesquisa, André Grégio, com o Coordenador-Geral de Inovação e Aceleração Digital da Atenção Primária, Rodrigo Gaete. Também participaram do encontro o gestor de projetos de pesquisa e desenvolvimento do C3SL, Edemir Reginaldo Maciel, e a secretária de projetos do Setor de Ciências Exatas da UFPR, Carla Marcondes.

O projeto propõe a colaboração e o compartilhamento de informações entre gestores e profissionais de saúde na implementação de iniciativas de conscientização sobre serviços do SUS e na coleta de dados para indicadores de avaliação da APS. No encontro com o Ministério da Saúde, o C3SL apresentou prova de conceito do sistema demonstrando a viabilidade de uma arquitetura distribuída para comunicação entre gestores e agentes de saúde. De acordo com Grégio, pesquisador que lidera o projeto na fase atual, o sistema busca contribuir para uma integração maior entre os cidadãos e o sistema de saúde, a partir de um canal de comunicação direto. “Além dos cidadãos poderem participar ativamente da construção de um SUS melhor, com suas avaliações sobre os serviços oferecidos, um sistema do porte do que estamos planejando contando com a coleta de informações para produção de indicadores permite que o Ministério e seus gestores diagnostiquem situações regionalizadas e preparem os estados e municípios para iniciativas de saúde mais efetivas”, aponta o pesquisador.

A APS é a principal porta de entrada e o primeiro nível de atenção à saúde da população, caracterizando-se por um conjunto abrangente de ações voltadas tanto para o indivíduo quanto para a coletividade. Dentre outras funções, a APS se concentra em ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, como campanhas de vacinação, orientações sobre hábitos saudáveis e acompanhamento de condições crônicas. É neste aspecto que o sistema se torna fundamental para o aprimoramento do sistema de saúde, pois permitirá que os gestores se comuniquem com os agentes de saúde e que iniciativas de saúde cheguem mais rápido ao cidadão, promovendo não só a inclusão digital, mas a conscientização e disseminação de informações importantes sobre saúde.

O impacto social e a centralidade do sistema para programa e ações de saúde coletiva por parte do Governo Federal beneficiando milhões de cidadãos reforça a lista de trabalhos encabeçados pelo C3SL que demonstram a sólida capacidade grupo de pesquisa na execução de projetos de grande escala e complexidade, envolvendo equipes interdisciplinares, infraestrutura de alto nível e impacto significativo na sociedade brasileira. “A experiência dos pesquisadores do C3SL e sua característica de multidisciplinaridade traz a vantagem do planejamento e execução de projetos de grande porte de ponta-a-ponta: da infraestrutura de coleta, armazenamento, processamento e visualização de dados à criação de modelos de inteligência artificial e aprendizado de máquina próprios, culminando na preocupação com soluções inovadoras robustas, seguras e voltadas à experiência do usuário”, complementa Grégio.

Controle de dados e soberania nacional– Além de promover um sistema de comunicação e de avaliação dos usuários da APS, outro benefício do projeto é a autonomia que o sistema permitirá ao Ministério da Saúde na governança e gestão das informações dos usuários. Para o coordenador do projeto e especialista em banco de dados, Marcos Sunye, o projeto dá autonomia ao Governo Federal no controle das informações que são coletadas sobre os usuários do SUS.

Neste aspecto, há um duplo benefício. Primeiro, por evitar que os dados sejam usados para benefício do capital privado. “Ao desenvolver um sistema de mensageria independente, o Brasil pode garantir que os dados sensíveis de pacientes permaneçam sob o controle das autoridades nacionais, em vez de serem gerenciados por empresas privadas. Isso é crucial para proteger a privacidade dos pacientes e evitar o uso indevido dessas informações para fins comerciais ou outros que possam não estar alinhados com o interesse público”, aponta Sunye. A segunda vantagem é a possibilidade de uso dos dados para propor políticas públicas na área da saúde. “Tendo acesso direto a dados de saúde abrangentes e confiáveis, o governo pode tomar decisões mais informadas sobre a alocação de recursos, o desenvolvimento de programas e a implementação de estratégias eficazes de assistência à saúde”, conclui.

Economia aos cofres públicos – O protótipo apresentado pelo C3SL ao Ministério da Saúde demonstrou de forma prática como o sistema funcionará estabelecendo um contato direto com os usuários do SUS. A interface web desenvolvida é um sistema de informação que se comunica com uma infraestrutura de comunicação, também montada no C3SL, de forma a permitir que o usuário seja contactado. Usando software livre no conceito de desenvolvimento da solução para o MS, sem a necessidade de acessar serviços de empresas de telefonia para estabelecer a comunicação com os usuários, a ferramenta resulta em economia milionária para a pasta.

Apenas para ilustrar a dimensão de recursos despendidos em uma comunicação focada em SMS para a APS, consideremos o menor valor registrado no site do Ministério do Planejamento (portal Painel de Preços, base que registra todos os dados de compras de bens e serviços feitos pelos órgãos do poder público federal) relativo às licitações feitas pelo poder público em 2023, de R$ 0,04. Se cada atendimento gerasse um SMS de notificação para o usuário, considerando que segundo dados do portal do Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (Sisab), em 2022 o total de produções da APS pelo SUS foi de 1,4 bilhão de atendimento (que vai de serviços simples a procedimentos complexos), o custo da comunicação digital resultaria algo em torno de R$ 56 milhões. Em 2023, ainda com base no portal Sisab, com a APS registrando um aumento de 16% no total de procedimentos, alcançando um total de 1,6 bilhão de atendimentos, o custo passaria para quase R$ 64 milhões.

Sistema propõe indicadores para financiamento do APS nos municípios – Para a prova de conceito apresentada ao Ministério da Saúde, a equipe do C3SL mostrou um fluxo do sistema em que uma iniciativa de saúde foi cadastrada com duração de um dia, indicando um grupo populacional formado por membros do grupo de pesquisa. A ideia era criar uma simulação da ferramenta em operação. Após o cadastro da iniciativa, o sistema disparou uma ligação telefônica com um áudio perguntando qual a nota do atendimento realizado, a qual, ao ser digitada pelo usuário em seu celular, retornou em tempo real para a interface Web no painel de indicadores.As métricas de avaliação do sistema, além de alimentar base de dados do SUS para avaliação dos serviços, e consequentemente em planos de ação de prevenção de problemas e manutenção das políticas públicas para a saúde nacional, também servirá como fornecedor de indicadores para repasse de recursos aos municípios. Isso porque em abril deste ano, o Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº: 3.493, que trata da nova metodologia de cofinanciamento federal do Piso de APS no SUS. Parte do cálculo para repasse de recursos para os municípios passa pela avaliação dos serviços de saúde. Desta forma, o sistema em desenvolvimento pelo C3SL está ligado diretamente ao componente de qualidade que visa estimular a melhoria do acesso e da qualidade dos serviços ofertados pela APS, buscando induzir boas práticas e aperfeiçoar os resultados em saúde.

C3SL realiza visita técnica à diretoria executiva dos Correios em Brasília

Encontro foi marcado por debate sobre soluções tecnológicas em computação para aprimoramento da atuação do centro de distribuição da empresa pública no Paraná

Debate sobre demandas de tecnologia dos Correios partiu de diagnóstico prévio feito pelo C3SL no CTCE, no Paraná. Foto: Sara Barbosa (CCOM/PR)

Pesquisadores e técnicos do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram visita técnica à diretoria executiva dos Correios na última quarta-feira (26) em Brasília. Em reunião com a diretora do setor Econômico-Financeiro, Tecnologia e Segurança da Informação dos Correios, Maria do Carmo Lara Perpétuo, foram debatidas as demandas de tecnologias em computação da superintendência da empresa pública no Paraná e no Brasil. O C3SL foi representado na visita técnica pelo pesquisador e professor do Departamento de Informática da UFPR (Dinf-UFPR), André Ricardo Abed Grégio, pelo gestor de projetos de pesquisa e desenvolvimento do C3SL, Edemir Reginaldo Maciel, e pela secretária de projetos do Setor de Ciências Exatas da UFPR, Carla Marcondes.

No encontro em Brasília, a delegação do C3SL apresentou propostas de soluções em termos de computação para as mais variadas demandas dos Correios no Paraná, como uma implantação de infraestrutura de virtualização e simulação para testes de novos projetos. Também foram evidenciados na oportunidade os desafios da empresa pública para as áreas de governança e segurança da informação, computação de alto desempenho, bases de dados e sistemas computacionais robustos e eficientes. As medidas debatidas na reunião com a diretora Maria do Carmo, com o superintendente dos Correios do Paraná, Marcos Paulo da Silva Paim, com o superintendente executivo de tecnologia da informação e comunicação, Helder Mota Gomes, com o chefe do laboratório de pesquisa, desenvolvimento e inovação operacional, Otávio Augusto Morais Arantes, e com o coordenador de pesquisa e desenvolvimento operacional da empresa pública, Henrique Massaro, são resultados de diagnóstico prévio feito pelo C3SL em acompanhamento técnico do centro de pesquisa às instalações do Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE), um dos principais centros logísticos da empresa pública próximo da capital paranaense.

De acordo com o superintendente dos Correios do Paraná, Marcos Paim, é um fomento à inovação no setor logístico a consolidação de projetos aliando a expertise do C3SL em soluções complexas a partir da computação científica e o legado e dimensão dos Correios. “A parceria com o C3SL pode contribuir para acelerar a nossa Transformação Digital e também a Modernização Operacional da nossa Empresa, a fim de consolidar os Correios à frente do mercado e reafirmar sua posição de maior operador logístico do Brasil. Temos buscado a inovação impulsionada pela tecnologia para aumentar a entrega de valor aos nossos clientes e à sociedade”, afirma o superintendente dos Correios.

Em visão complementar, o coordenador de pesquisa dos Correios, Henrique Massaro, destaca a preocupação da empresa pública em buscar na inovação tecnológica formas de aprimorar a performance dos Correios. “Temos buscado a aproximação com o ecossistema de inovação do Paraná, a fim de identificar potenciais projetos de relevância para os Correios. A parceria com o C3SL pode contribuir para modernizar, de forma efetiva, nosso processo operacional e com isso otimizar a jornada dos nossos clientes, agregando tecnologia, valor e inteligência por meio da união de expertises entre as duas instituições, consolidando assim, nossa vantagem competitiva. A computação tem um papel crucial na logística pq pode oferecer oportunidades para melhorar nossa eficiência, reduzir nossos custos e melhorar a satisfação dos nossos clientes”, destaca Massaro.

Da esquerda para direita: Edemir Maciel, Helder Gomes, Marcos Paim, Henrique Massaro, Carla Marcondes e André Grégio. Foto: Sara Barbosa (CCOM/PR).

Um dos principais instrumentos do governo federal na integração e desenvolvimento do Brasil, os Correios desempenham função que ultrapassa a entrega de cartas e encomendas. Com uma capilaridade que abrange os 5,5 mil municípios do país, a empresa desempenha uma função de apoio logístico ao Estado como suporte às políticas públicas, como distribuição de vacinas, e das urnas eletrônicas nas eleições municipais e estaduais. Na área da educação, por exemplo, é a principal transportadora de livros didáticos e das provas do Enem. Segundo dados do relatório de administração dos Correios, em 2023, por exemplo, a empresa pública foi responsável pela distribuição de 166,5 milhões de livros didáticos, atendendo cerca de 152 mil instituições de ensino, e fez a entrega de 7,9 milhões de provas do Enem em 1,7 mil municípios do país.

A fundamental relevância dos Correios no papel essencial para a integração, desenvolvimento e garantia de direitos da população em todo o território brasileiro e como suporte de políticas públicas, bem como a complexidade e volume dos serviços realizados pela empresa vão ao encontro da experiência do C3SL em promover soluções de computação para problemas complexos, a partir de uma expertise de duas décadas em projetos com equipe multidisciplinar na Ciência da Computação.

Confraternização do C3SL é marcada por entrega do troféu de “causos da informática”

A 15 ª edição do tradicional prêmio reuniu pesquisadores e bolsistas na sede da APUFPR

A confraternização anual do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) reuniu dezenas de bolsistas e pesquisadores na sede da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR-SSind), na última quinta-feira (27). O evento, que marca um novo ciclo de atividades no grupo de pesquisa, também é conhecido pela tradicional entrega do Troféu Horário, um descontraído prêmio que registra os principais fatos engraçados e obrigatoriamente vexatórios vivenciados por técnicos, bolsistas ou pesquisadores. Afinal de contas, o C3SL é reconhecido por sua pesquisa séria e rigorosa. No entanto, até os programadores mais experientes escorregam o dedo no código vez ou outra.

Apesar do tom humorístico, o Troféu Horácio, que já está na sua 15 ª edição, reflete a cultura de aprendizado e melhoria contínua do C3SL. Ao reconhecer e celebrar erros de uma forma descontraída, o prêmio incentiva os pesquisadores a não terem medo de errar e a encararem os deslizes como oportunidades de crescimento. O Troféu Horácio é uma iniciativa divertida e construtiva do C3SL para celebrar os momentos engraçados e humanos da pesquisa científica, momento em que o grupo de pesquisa demonstra sua maturidade e compromisso com a excelência acadêmica.

As indicações são realizadas ao longo do ano pelos próprios bolsistas e professores do C3SL. Todo ano é definida uma comissão julgadora que analisa os casos relatados e define os ganhadores. O prêmio neste ano recebeu 12 indicações, que disputaram a definição da comissão nas categorias: menção honrosa – indicação que não alcançou um troféu, mas que merece memória na lista dos premiados; categoria Déjà vu – em que são indicados os causos que já foram cometidos em momentos anteriores por outros ganhadores do Troféu Horácio; categoria Pequeno Gafanhoto – dedicada a marcar o feitos de bolsistas ao longo das suas pesquisas; e o troféu “Galo Véio”- que busca registrar os causos dos veteranos pesquisadores.

Nesta 15 ª edição, entraram para o panteão os “Horácios”, os seguintes bolsistas e pesquisadores: Marcus Vinícius Reisdoefer Pereira, com menção honrosa; Odair Mario Ditkun Junior e Fernando Kiotheka, que juntos ganharam como autores do mesmo causo na categoria Déjà vu; Muriki Gusmão Yamanaka e Marcus Vinícius Reisdoefer Pereira na categoria Pequeno Gafanhoto; e na categoria “Galo Véio”, o veterano Odair Mario Ditkun Junior.

O “causo” que deu origem ao prêmio –  tudo começou em 2012, na sala do C3SL, e envolve uma impressora, um manual, uma chave de fenda, um toner, e uma dose cavalar de desatenção. Quem faz este resgate para nós é um dos fundadores do C3SL, o professor Marcos Castilho. “Um dia, ao entrar na sala do C3SL retornando do almoço com o Bona, deparei-me com três bolsistas. Eles estavam ali ao redor da impressora. Um tinha o toner na mão, outro tinha uma chave de fenda e um terceiro tinha o manual da impressora. Estranhando aquela situação, questionei: ‘Vocês estão fazendo o quê?’. Eles me responderam: ‘Vamos trocar o toner’. Perguntei para eles: ‘Mas por que você precisa da chave de fenda?’. Responderam: ‘Não, é que no manual aqui está dizendo que tem que tirar uma fita amarela do toner. Mas o toner não tem fita amarela. Então a gente está achando que tem que abrir o toner para ver se a fita amarela está dentro’. E qual era o problema em tudo isso? É que o toner era da Epson, o manual da impressora que estavam usando era da Lexmark, e a impressora era uma HP”, conta Castilho.

Bolsista do C3SL participa da final da Maratona Feminina de Programação

Evento busca fomentar o interesse pela computação entre mulheres e pessoas não-binárias da América Latina

Evento reuniu participantes de universidades brasileiras e de outros países da América Latina. Foto: Instagram da MPF

Neste fim de semana foi realizada no Instituto de Computação (IC) da Unicamp a final da Maratona Feminina de Programação (MFP), evento que reúne mulheres e pessoas não binárias da América Latina para uma rodada de dois dias de desafios de programação esportiva. A bolsista do Centro de Computação Científica e Software Livre, Luize Duarte, participou como finalista da MPF e na assessoria do time do curso de programação. Daqui do Paraná, representando o Dinf e a UFPR, também esteve no evento a acadêmica Juliana Zambon, que integra a equipe da organização da maratona como coordenadora de comunicação da MPF.

Participam da MPF mulheres e pessoas não-binárias que estejam regularmente matriculadas na graduação de alguma instituição latino-americana de ensino superior. Para Juliana, o evento é uma oportunidade de incentivar o interesse pela computação entre o público feminino. “O evento representa a esperança de que você, mulher ou pessoa não binária, também pode conquistar seu lugar no mundo da programação. A esperança de criar uma comunidade onde você possa ser e se sentir acolhida nesse ambiente, atualmente permeado por uma grande presença masculina. A Maratona Feminina de Programação é a esperança da inclusão”, destaca a coordenadora de comunicação da MPF.

Esta é a segunda edição da maratona feminina, que já bateu recorde de inscrições, passando de 280 estudantes no evento em 2023, para mais de mil inscrições neste ano. Além de universidade e faculdades no Brasil, o evento também recebeu inscrições de instituições de ensino superior de outros países da América Latina, como Facultad de Física de la Universidad de la Habana, Pontificia Universidad Católica de Chile e Universidade Nacional de Colombia. Outra novidade é que neste ano a MPF se vinculou à Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Nos desafios de computação, as competidoras podem usar soluções em linguagens Pascal, C, C++, Java, Python e Javascript.

Dentre as propostas do evento, destaca-se o estímulo à participação feminina na programação esportiva, a ampliação da participação feminina na Maratona de Programação (SBC) promovida anualmente pela SBC, contribuir para a formação de uma comunidade latino-americana feminina de computação e proporcionar um ambiente mais inclusivo, acessível, acolhedor e diverso na área das ciências exatas em geral.

C3SL recebe coordenadores de dados da Agência Nacional de Petróleo

No encontro, foram debatidos os desafios tecnológicos da ANP na disponibilização de dados para a sociedade

Terabytes de informações e levantamentos das bacias sedimentares brasileiras, como poços perfurados e dados sísmicos, reunidos por iniciativas privadas e entes públicos são diariamente recebidos e disponibilizados para a academia e mercado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Soluções de informática e de infraestrutura que facilitem este fluxo de dados foram alguns dos temas da visita de técnicos da ANP ao Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) nesta quinta-feira (6). O encontro fez parte da agenda encabeçada pelo Laboratório de Análises de Minerais e Rochas (Lamir).

Participaram da atividade o coordenador de poços e geologia da ANP, Fernando Gonçalves dos Santos, o coordenador de recebimento e disponibilização de dados da agência, Paulo de Tarso Antunes, dos pesquisadores do C3SL, professor Marcos Sfair Sunye, Marcos Castilho, Luis de Bona e André Grégio, e administradora e assessora de projetos da UFPR, Carla Marcondes.

Na visita, Marcos Castilho fez um panorama geral sobre o C3SL e sobre as duas décadas de atividade do grupo de pesquisa no desenvolvimento de soluções para problemas complexos relativos ao campo da computação. Considerando a especialização da ANP no fomento a estudos geocientíficos, com expertise no campo da Geologia e Geofísica, Castilho reforçou o papel do C3SL no desenvolvimento de projetos que demandam multidisciplinaridade. “Nos especializamos em entender problemas de outras áreas diferentes da computação. Nós já trabalhamos com a ANEEL para resolver problemas da matriz energética do Brasil no que diz respeito à otimização e minimização do tempo de funcionamento de termelétricas. Este foi um projeto em parceria com o departamento de hidráulica”, aponta o pesquisador do C3SL.

O pesquisador Marcos Sunye complementou destacando os desafios do C3SL com os projetos com reflexos em várias áreas como Saúde, Educação, Comunicação e Direitos Humanos, sempre primando por resultados de relevância e impacto na sociedade, a partir da função social da universidade pública. Neste aspecto, Sunye defende a dianteira da universidade e do governo no uso racional de dados pensando na sua visão estratégica, como no projeto desenvolvido pelo C3SL com o MEC com a integração das diversas bases de dados (MEC, FNDE, Inep, Censo Escolar) para resultar em planos de políticas públicas e ações em educação.

“A base que geramos a partir destes dados fomenta pesquisa e planos em vários grupos e para decisões do governo. Um exemplo é o uso para a o cálculo do custo alunoXqualidade, que é uma métrica para decidir o uso de fundos. Como o Fundeb, que mapeia isso nas escolas para decidir os recursos para garantir a qualidade de ensino. É absolutamente necessário o governo federal trabalhar com uma grande massa de dados para tomar decisões. Não temos como deixar só a iniciativa privada fazer isso, cabe à universidade e ao governo justamente tomar a frente de projetos como este”, conclui.

Segundo o geólogo da ANP, Fernando Gonçalves, o setor de dados da agência enfrenta problemas semelhantes ao relatado por Sunye no que diz respeito à necessidade de padronização dos dados recebidos de diversas fontes. Contudo, um dos principais gargalos hoje identificado pelos técnicos da ANP é a solução para disponibilizar dos dados para a sociedade, academia e mercado. Os dados recebidos pela agência referente aos estudos e mapeamento de bacias e poços chegam das empresas públicas e privadas e recebem uma categoria de tempo de sigilo, que pode variar em tempo a depender da sensibilidade dos dados para o interesse da União e para a segurança pública. Após este prazo finalizado, ficam abertos para solicitação e consulta pública.

Hoje nosso principal desafio é encontrar uma solução de front end, que nos auxilie na coleta, análise e disponibilidade dos dados para quem solicitar. Um sistema ideal teria que dar conta de receber a demanda, acessar os dados, copiar eles para disponibilização, criar as identificações e gestão dos tempos de sigilo de cada um dos dados, isso considerando que o tempo todo somos acionados para acesso aos dados pela academia, sociedade e mercado. De forma adicional, é ainda necessário localizar os dados espacialmente, para alimentar sistemas de visualização de dados para que a sociedade possa receber os metadados para que possam acompanhar as informações, e saber quando os dados estarão ou não públicos”, destaca o técnico da ANP.

Dinf e C3SL sediam etapa zero da Maratona de Programação da SBC em Curitiba

Neste sábado (25), será realizada a etapa zero da Maratona de Programação da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Esta é uma fase nacional da competição de programação, aberta aos alunos de graduação do ensino superior e do ensino médio de todo o país e equipes de instituições da América Latina. Em Curitiba, o Departamento de Informática da UFPR (Dinf) e o Centro de Computação Científica e de Software Livre (C3SL) vão receber os competidores nesta fase.

Bolsista do C3SL e um dos organizadores da etapa zero, Fernando Kiotheka aponta que as maratonas são excelentes oportunidades de desenvolvimento de trabalho conjunto de visibilidade frente à comunidade de programadores e de fortalecimento da rede de contatos.  “A maratona propicia um ambiente de experiências muito rico, possibilitando muitas oportunidades de aprendizado e emprego. Os maratonistas são ótimos cientistas da computação, pois aprendem a fundo muito conteúdo da área, sendo excelentes em matemática e resolução de problemas, formando ótimos pesquisadores. E os maratonistas também são programadores extremamente competentes que trabalham com abstrações de alta complexidade e que conseguem resolver problemas também altamente complexos”, afirma.

Bolsista do C3SL, Kiotheka é um dos organizadores das maratonas da SBC – Foto: acervo pessoal

Para Kiotheka, o evento aberto ao público geral e com atividades online propicia um espaço com integração de estudantes de vários locais. A fase zero recebeu 895 inscrições de equipes, das quais 846 do país, e 49 de times de alunos da América Latina, como Universidad Panamericana, do México, e Universidad Nacional de Ingeniería, no Peru. “A fase zero é a fase mais democrática da maratona porque é online e todo mundo consegue participar, então é a que tem recorde de participação de longe. Isso faz com que a maratona alcance vários lugares que normalmente não seriam alcançados tradicionalmente. Isso motiva muito o pessoal a participar das próximas fases e conhecer a maratona”, reforça.

Além da integração internacional, o evento também abre espaço para os alunos do ensino médio, que estão decidindo quais caminhos vão seguir na graduação. Esta edição da fase zero contará com 56 equipes do ensino médio. “Pro pessoal do Ensino Médio é uma oportunidade de fazer uma prova que geralmente é voltada apenas para a graduação, e já se iterar no mundo da programação esportiva e começar a se preparar. Eles já ficam cientes de todas as instituições onde existe entusiasmo pela maratona e já começam a pensar no seu futuro, onde vão estudar”, reflete Kiotheka.

 
Etapa da Maratona SBC na UFPR terá 45 participantes

Dos inscritos em Curitiba, os laboratórios do Dinf e do C3SL devem receber 45 participantes nesta etapa da maratona. Ao menos quatro equipes terão bolsistas do C3SL na disputa, sendo elas: equipe Trepa Colinas, formada por Marcus Vinicius, Muriki Gusmão Yamanaka e Anderson Aparecido do Carmo Frasão; equipe Programação Casual: formada por Gabriel Conegero, Roberto Tomchak e Pedro Pesserl; equipe The tortured programmers department: formada por Luize Cunha Duarte, Millena Suiani Costa e Juliana Zambon; e equipe Beecrowd eu só queria mais caracteres: formada por Thiago Trannin, Pedro Vinicius e Raul Gomes.

Assim como nas demais fases da Maratona da SBC, na etapa zero as equipes com até três integrantes recebem uma série de problemas que devem ser resolvidos em um menor intervalo de tempo possível, usando várias linguagens de programação para codificar soluções. A jornada que promove um trabalho em equipe e fomenta a criatividade na solução de problemas a partir de programação tem duração de cinco horas.

A etapa zero é uma oportunidade para os participantes se prepararem e se destacarem antes da competição principal da Maratona de Programação SBC, competição que reúne os melhores programadores do Brasil e do mundo. A primeira fase da maratona está prevista para o fim de agosto.

Bolsistas do C3SL participam de maratona de programação em Santa Catarina

Aqueçam os dedos, ativem os cérebros e empunhem suas linhas de códigos! As arenas de programação na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Joinville vão esquentar neste sábado (18), e os bolsistas do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) estarão lá, representando a garra dos programadores paranaenses na Maratona nas Estrelas, umas das edições das Internas, promovida pelos alunos de computação da Udesc.

Todo ano, a Brute, grupo de programação competitiva formado por acadêmicos de computação da Udesc Joinville, realiza duas competições de programação internas, uma em cada semestre. As inscrições são feitas por times com até três integrantes e mais os Coachs, que dão suporte às equipes. Um time formado pelos bolsistas do C3SL estará no páreo na maratona com Luize Cunha Duarte e Gabriel Lisboa Conegero. Tem ex-bolsistas também no time formado por Pedro Vinícius, Thiago Trannin,  e o mestrando Raul Gomes. Daqui da UFPR, ainda segue mais um time, formado pelos calouros Antonio da Ressurreição Filho, Davi Chaves Rodrigues Dutra Manzini e Arthur Ribas de Oliveira. Segue como coach das três equipes o bolsista do C3SL, Fernando Kiotheka, e o ex-bolsista do C3SL, Vinicius Tikara.

As Internas servem de seletivas dos grupos de programação para avaliar os times que podem competir as fases sub-regionais de programação, realizadas pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Nas maratonas, as equipes recebem uma série de problemas que devem ser resolvidos em um menor intervalo de tempo possível, usando várias linguagens de programação para codificar soluções.

Segundo Kiotheka, que coordena algumas das maratonas de programação em âmbito regional, as maratonas ajudam no desenvolvimento de ações em conjunto, além de ser um espaço de organização de networking. “Esse evento traz em foco o estudo da ciência da computação na área de algoritmos e estruturas de dados. Além disso, o trabalho em equipe é valorizado e para os alunos, é uma ótima oportunidade de conhecer pessoas novas e buscar emprego, além de viajar para muitos lugares legais”, afirma.

Neste sábado na Udesc, a prova terá cinco horas de duração em que as equipes inscritas terão entre 10 e 15 problemas no estilo da maratona International Collegiate Programming Contest (ICPC), mesmo formato adotado nas maratonas da SBC. Segundo o site da Brute, os problemas serão apresentados de forma aleatória, e os competidores deverão usar computadores sem conexão com internet.

C3SL debate carreira na computação em evento no IEP nesta segunda-feira

A perspectiva no mercado de trabalho na área de computação é tema em evidência na palestra do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) no Conexão Engenharia, evento promovido nesta segunda-feira (13) pela Universidade Positivo e Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) em Curitiba. No evento, o pesquisador do C3SL e coordenador do Departamento de Informática da UFPR (Dinf), Luis Carlos Erpen de Bona, debaterá o cenário da ciência da computação, uma das áreas em ascensão no mercado da tecnologia.

Com foco nos estudantes de graduação e do ensino médio, o evento tem palestras com profissionais de renome das mais diversas áreas da engenharia, como computação, construção civil, elétrica e eletrônica, mecânica, dentre outras. O objetivo é propiciar um panorama do mercado das engenharias para os futuros engenheiros, abordando desde as etapas de ingresso nas instituições de ensino até o preparo para uma carreira de sucesso no mercado de trabalho.

Com inscrição gratuita, o evento é presencial e será realizado na sede do IEP, a partir das 17 horas, na rua Emiliano Perneta, 174, em Curitiba. Confira a programação completa e se inscreva em https://cursopositivo.com.br/conexaoengenharia/

TRE busca parceria com o C3SL no combate ao deepfake nas eleições

Estratégias contra desinformação tem como alvo magistrados e a sociedade em geral com campanha educativa e produção de sistemas para mapeamento de vídeos

Imagine receber em seu aplicativo de mensagens um vídeo em que você aparece em situação vexatória, mas em um cenário em que você nunca esteve, e falando coisas que você nunca falou. Neste caso, você teria sido vítima de Deepfake, uma técnica de produção de imagens com criação ou sobreposição de rostos e vozes em vídeos. E se este mesmo vídeo circulasse no grupo da família, ou entre seus colegas de trabalho?  Este cenário é hipotético, mas a tecnologia de Inteligência Artificial disponível para fazer algo similar, não.

Em um contexto propício para a circulação da desinformação, como o meio político e as eleições, o uso generalizado de deepfake certamente pode deteriorar a democracia. É nesta conjuntura técnicos do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) estiveram nesta semana no Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) para debater soluções de informática no combate à ameaça do deepfake nas eleições. O objetivo é estabelecer uma parceria entre o TRE e o C3SL para desenvolver soluções de informática para detectar e prevenir a manipulação de conteúdo multimídia, como vídeos e áudios, que podem ser usados para influenciar a opinião pública e comprometer a integridade do processo eleitoral. Participaram do encontro no prédio do Departamento de Informática da UFPR (Dinf) o Secretário de Tecnologia da Informação, Gilmar José Fernandes de Deus, e o Secretário Administrativo do TRE, Iuri Camargo Kisovec, e os pesquisadores do C3SL, Marcos Alexandre Castilho, Luis Carlos Erpen de Bona, André Ricardo Abed Grégio e Paulo Ricardo Lisboa de Almeida

Com a crescente popularidade da tecnologia e a preocupação do órgão no uso em campanhas ou no cenário das eleições, além de traçar estratégias de formação educacional para a sociedade, o TRE busca na proposta de parceria com o C3SL uma solução que dê suporte aos magistrados no julgamento de casos que envolvam circulação de deepfake. De acordo com o secretário de tecnologia da informação do TER, Gilmar José Fernandes de Deus, uma grande dificuldade no julgamento de processos eleitorais, é aumentar a assertividade dos magistrados na identificação de conteúdos falsos criados digitalmente.  

“Na justiça eleitoral, em diversos momentos ao longo das eleições nos deparamos com situações litigiosas em que é preciso analisar casos envolvendo denúncias de desinformação. O grande problema é conseguir identificar de forma célere, se, por exemplo, de acordo com uma denúncia, o vídeo ou outro material é ou não é um deepfake, se é uma montagem feita por um candidato querendo prejudicar o outro. Hoje, muitas vezes, o magistrado que tem que tomar essa decisão de forma manual, o que envolve um grande risco no processo de julgamento. O que nós queremos é melhorar essa assertividade, e fornecer uma ferramenta ao magistrado dentro de processo jurídico, onde ele consiga ter mais embasamento para tomada de decisão”, afirma Gilmar de Deus.

Para o pesquisador do C3SL, André Ricardo Abed Grégio, uma ação junto ao TRE de combate ao deepfake deve prever ações de curto, médio e longo prazo, considerando a agenda de eleições, e tendo em vista a complexidade de desenvolvimento de uma ferramenta que busca marcas de uso de IA em vídeos. Mirando as eleições que se aproximam, em que os cidadãos de 399 municípios paranaenses seguem para as urnas para escolha de vereadores e prefeitos, Grégio propõe ações de educação focada na população e para os magistrados. A partir do uso de aplicações que demonstram de forma prática os tipos de deepfake, a campanha teria uma proposta educacional permitindo aos magistrados e a sociedade em geral conhecer a partir de vídeos as marcas que ajudariam a identificar se um material pode ou não ser falso. “Dentre os tipos de deepfake, existem as que usam sincronização de lábios, sintetização de áudio, injeção de rosto, criação de uma visão total de vídeo artificial. Uma campanha didática, poderia partir do desenvolvimento de ferramentas que possam servir para ilustrar estes tipos de deepfake”, aponta o pesquisador.

Segundo o pesquisador do C3SL, Paulo Ricardo Lisboa de Almeida, especialista em Machine Learning, a campanha inicial também contaria com vídeos e demais materiais de conscientização. “Usando técnicas de sobreposição de vídeo e som, é possível criar uma campanha educacional ilustrativa em que podemos explicar o que é deepfake, como é formada e reforçando a necessidade de cuidados no compartilhamento de conteúdos nas eleições”, diz Almeida. Para ele, uma outra solução a curto prazo seria a criação de um repositório com os vídeos de campanha criados pelos candidatos. A partir do repositório, é possível comparar novos vídeos em circulação para verificar se não foram gerados a partir dos materiais de campanha, o que agiliza o processo de análise dos conteúdos.

Para os pesquisadores do C3SL, a constituição do repositório aliado ao processo de geração de sistemas que ajudem a criar tipos de diferentes de deepfake fazem parte das medidas de médio e longo prazo, em que é necessário um volume significativo de dados para treinar os modelos na leitura e identificação de marcas de IA nos vídeos. “Para cada tipo de deepfake é necessária uma solução que identifique o padrão usado. Os tipos vão do mais simples, como o lipsync, em que se usa um vídeo existente e síncrona a parte da boca do personagem com um conteúdo vocal diferente; tem o de injeção de rosto, em que se aplica o rosto de um personagem em um outro vídeo; e tem os mais elaborados, como os de IA Generativas, em que os fakes são gerados inteiramente por inteligência artificial”, explica Grégio.

O pesquisador Paulo Almeida complementa que em cada um destes tipos, é preciso um modelo que aprenda as marcas da IA que produziu o vídeo, para gerar resultados de identificação se o conteúdo foi criado por inteligência artificial ou se é autêntico. “Um sistema que indique se um conteúdo é originário de inteligência artificial demanda muitos dados e capacidade de processamento. Em um deepfake totalmente gerado por IA, a gente teria que descobrir como é que a IA generativa está gerando os vídeos e detectar traços ali dentro. Neste caso, seria preciso gerar um monte de vídeos falsos para treinar os nossos modelos. Teria que ter uma rede neural, uma inteligência artificial gerando vídeos, e a gente treinando uma outra inteligência artificial para ficar observando e aprende aí como é que ela gera.

Considerando o crescente cenário de uso de deepfake nas eleições, a parceria entre o TSE e o C3SL no combate à desinformação resultaria em um passo importante para garantir a integridade do processo eleitoral brasileiro. Com a tecnologia do deepfake se tornando cada vez mais popular, é fundamental que os órgãos responsáveis pelo processo eleitoral desenvolvam estratégias para detectar e prevenir a manipulação de conteúdo multimídia.